A convivência harmoniosa de diferentes ecossistemas – marítimo, fluvial e terrestre – confere a esta região um espírito de grande devoção e preservação dos espaços naturais. O Parque Nacional da Peneda-Gerês, um dos grandes baluartes naturais da Península Ibérica, é um amplo reservatório de vida animal, vegetal e geológica. Um território com tais características inspira as suas gentes a uma vida pautada pelo fruto da terra. A forte tradição gastronómica e vinícola descende desta capacidade de desenvolver, em moldes orgânicos e de grande pureza, produtos de estimada qualidade.

A água é também um elemento de vital importância nesta região. Os excecionais níveis de precipitação causados por um fenómeno microclimático aliados à imponência do Rio Lima permitem uma vivacidade e cor na paisagem do Vale. Esta palete reflete-se nos trajes tipicamente minhotos. As centenas de festas, religiosas ou pagãs, são uma exaltação do território e, em simultâneo, um agradecimento místico pela riqueza natural deste lugar.

A paisagem é o cenário que inspira a bravura destas gentes. O percurso do rio, além de acompanhado de uma riqueza natural única, é um testemunho histórico. Nas suas margens, vários vestígios arquitetónicos são preservados e elucidam-nos sobre o carácter orgulhosamente tradicional e autêntico desta população. Mais do que meros cidadãos do presente, os nativos são herdeiros de fortes tradições e costumes.

Os laços comunitários reforçam-se com o esforço conjunto de preservar a História, porém sem nunca fechar a porta a quem vem por bem.

O turismo assume um papel preponderante no desenvolvimento da região. Seja pela imensa costa de praias, seja pela oferta rural, milhares de visitantes cruzam o Vale em busca de paz, alegria e contemplação.

Talvez possamos identificar a raiz deste espírito aberto nos antepassados que partiram à descoberta do Mundo desde o porto de Viana ao navegador Fernão de Magalhães. Certo é que hoje, por entre sons alegres da concertina e peças de artesanato singulares, as gentes do Vale do Lima continuam a exibir ao mundo o seu carácter hospitaleiro e orgulhoso.

A brisa do vale transporta a alegria das romarias através das vozes alegres dos cantares ao desafio, da animação de corpos ondulante nas rusgas populares, sempre cobertos com a riqueza da ourivesaria da filigrana e as cores vistosas das camisas bordadas e dos lenços minhotos. Tudo isto ao ritmo do estalar das castanholas.

Este movimento contagiante impulsiona o desfile de andores floridos e cestos carregados de flores ou alimento. É uma cultura em movimento e sempre orgulhosa de si.