A dedicação que aprimorou um vinho tão delicado reflete-se na preservação de um intenso legado histórico. A multiplicidade de influências culturais, ao longo de tantos séculos, reflete-se num património muito diversificado. Ao contrário de alguns territórios, incapazes de resistir à erosão do tempo, o Vale do Lima sobressai-se como um lugar de preservação e valorização da memória.. Admiramos um povo que se empenha na manutenção da tradição com o mesmo afinco com que cuida da sua casta especial.



O Paço de Giela é um exemplar notável de arquitetura civil privada das eras medieval e moderna. Considerado, desde 1910, um dos mais importantes Monumentos Nacionais, tem a sua origem profundamente ligada à formação da “Terra de Valdevez”. A edificação da “casa-torre” de Giela marca um novo momento de proteção e domínio senhorial e régio sobre a região. É ainda visível, neste paço, a torre medieval, do século XIV, bem como o corpo residencial, com janelas manuelinas e entrada fortificada, maioritariamente edificadas no século XVI.
No limite este de Arcos de Valdevez, Soajo foi, até ao século XVII, uma montaria com estatuto de grande independência sem domínio monástico ou nobre. Terra de fortes tradições comunitárias tem na sua Eira de 24 espigueiros, totalmente construídos em granito, em que o mais antigo ostenta a data 1782, uma espectacular vista para as serras da Peneda e Amarela. É um testemunho da introdução da cultura do milho no século XVII neste território.
Santuário mariano de forte devoção em Portugal e na Galiza, construído nos finais do século XVIII. Diz a lenda se ter verificado uma aparição da Nossa Senhora das Neves, em 5 de Agosto de 1220, a uma pequena pastora, no local onde por volta de setecentos, os cristãos fugidos da invasão dos sarracenos, teriam deixado uma imagem entre as enormes fragas da Serra da Peneda. Diante da igreja e contemporâneo desta, existe o escadório das virtudes, com estátuas representando a Fé, a Esperança, a Caridade e a Glória. Onde hoje existe um hotel, anteriormente situavam-se os “quartéis”, ou seja os dormitórios dos peregrinos. O santuário ficava a meio caminho entre os mosteiros da Ordem de Cister Ermelo (Arcos de Valdevez) e Fiães (Melgaço).
A ponte que liga as duas margens do rio Vez, afluente do Lima, assume lugar destacado na história da vila. Esta construção, herdeira do anterior modelo de travessia, pela sua afiliação histórica com a feira, que até ao final do século XX decorria na passagem entre os dois lados, constituiu um importante pilar de desenvolvimento económico e social da região. A atual construção, sustentada em quatro belos arcos, remonta ao século XIX e procede o original exemplar medieval.
O Parque Nacional da Peneda Gerês abrange uma área montanhosa do Noroeste português, com cerca de 72000 hectares. Além de um atrativo ponto turístico, este ecossistema natural possui uma das mais ricas biodiversidades da Península Ibérica. Um paraíso natural onde se podem ver espécies como o lobo ibérico, a cabra montês, o garrano e o lírio do gerês, a urze e o medronheiro. Classificado como o único Parque Nacional e Reserva Mundial da Biosfera é uma das maiores atrações naturais de Portugal.
O monumento que, juntamente com o rio Lima, dá nome à vila é o grande ponto de atração turística deste território. O que poucos sabem é que, além de unir as duas margens, esta obra une também dois períodos históricos. Um troço romano, datado do século I, serviu para lançar a primeira versão da obra. Mais tarde, no período medieval, estima-se que no século XIV, ergueu-se o troço que se estende até à Igreja de Santo António da Torre Velha.
As ruas de Ponte de Lima são uma autêntica paisagem histórica. Em cada recanto, vestígios de presenças civilizacionais relevantes no passado português. O conjunto do património religioso que se segue à travessia da ponte romana e medieval personifica esta riqueza cultural. A começar pela Capela da Nossa Senhora da Guia, ao fundo da Avenida dos Plátanos, passando pelo Museu dos Terceiros, celebratório de arte sacra, e continuando até ao altar barroco da Capela de Nossa Senhora da Penha da França.
Este monumento abençoa, desde o monte de Santa Luzia, a cidade de Viana do Castelo. É um exemplo de arquitetura revivalista que congrega diferentes influências históricas: elementos neorromânicos, neobizantinos e neogóticos. Edificado entre os anos de 1904 e 1959, (a Basílica) o Santuário é um dos baluartes da cultura arquitetónica portuguesa. Assumindo-se como um cartão-de-visita da cidade de Viana do Castelo, do seu sítio descortina-se uma vista ímpar da região, que concilia o mar, o rio Lima com o seu vale, e todo o complexo montanhoso envolvente, panorama considerado o 3º melhor do mundo, segundo a National Geographic (1927).
Na era dourada da arquitetura do ferro, os anos 80 do século XIX, ergueu-se, na cidade de Viana, um dos monumentos mais afirmativos desta corrente. Inaugurada em 30 de Junho de 1878, em plena época da arquitetura do ferro, sob o risco e os cálculos da prestigiada Casa Eiffel, a ponte metálica sobre o rio Lima veio não só permitir o tráfego ferroviário, como também substituir a velha ponte de madeira que ligava o terreiro de São Bento em Viana à margem esquerda do rio Lima e é, até aos dias de hoje, uma das obras com mais impacto no dinamismo social da região.
Classificada como Imóvel de Interesse Público, é testemunho notório do que resta da velha muralha de Ponte de Lima, a qual, para além da estrutura amuralhada, era composta por torres e portas, conjunto edificado no reinado de D. Pedro I, no século XIV. A Torre da Cadeia Velha, adaptada a prisão no século XVI (D. Manuel I), alberga atualmente a Loja de Turismo e acolhe exposições temporárias. O visitante mais atento, num passeio pelo casco histórico, não deixará de encontrar vestígios das torres e das muralhas e as marcas respetivas, colocadas no pavimento, a evocar a estrutura monumental desaparecida.
Uma das mais distintas obras do Românico Português, a igreja de São Salvador de Bravães é parte do antigo Mosteiro Beneditino dos finais do século XII. Apresenta um grande simbolismo, desde o pórtico da Igreja com colunas decoradas com macacos, serpentes enlaçadas e águias com bicos. Destacam-se pela raridade do românico português as figuras humanas representando a Virgem e o anjo Gabriel.
Considerada como uma das mais notáveis obras construídas em Portugal medieval, da primeira metade do século XV. Nos séculos XVIII e XIX sofreu fortes remodelações, possuindo agora dez arcos quebrados ou plenos desiguais entre si, e ao meio duas lápides, representando os concelhos que a ponte une. Na lápide de Ponte da Barca observam-se os campos de prata e as armas de Portugal sobre uma barca de ouro, representado a antiga barca que unia as margens do rio Lima.
O Mercado setecentista é um monumento icónico desta vila. Constituído por arcadas apoiadas em colunas, serviu de abrigo a comerciantes, barqueiros e seus bens. A par deste monumento encontra-se o Pelourinho, datado nos finais do século XVI. Representa a independência político-administrativa e judicial da vila. Apresenta uma coluna cilíndrica em granito antecedida por um soco de quatro degraus. Termina em esfera e cone embolado, do século XVIII, estabelecendo a transição entre o maneirismo e o barroco. Os elementos heráldicos aludem a D. Manuel e a esfera apresenta as armas reais, a Cruz de Cristo e as faixas da família dos Magalhães, donatários da Vila.
O Castelo da Nóbrega, datado do séc. XII, evidencia vestígios da torre de menagem e cerca da época românica. No penhasco mais elevado implanta-se um marco geodésico, sendo visível em alguns pontos a acumulação de blocos graníticos irregulares que deverão pertencer à cerca. É visível, em certos pontos, muita cerâmica à superfície. Desfrute da vista deslumbrante sobre a vila de Ponte da Barca.
O Castelo e conjunto de espigueiros de Lindoso, emergem na paisagem da serra amarela de forma harmoniosa. O Castelo de Lindoso edificado no reinado de D. Afonso III, por volta de 1250, foi posteriormente ampliado no reinado de D. Dinis. O castelo situado a 4800 metros da fronteira com Espanha serviu de defesa do vale do Lima sendo considerado um dos mais importantes monumentos militares conservando a sua arquitetura medieval. A Torre de Menagem exibe uma exposição sobre arqueologia e a ocupação humana do território de Lindoso. O conjunto de 64 espigueiros agrupados numa eira comunitária, surgiram entre os séculos XVIII e XX, com o propósito de servir a comunidade típica de montanha. É a maior representação de espigueiros em granito da Península Ibérica.