O rio Lima, além de peça natural preponderante neste ecossistema, assume-se também como um marco quase místico que soube conduzir o rumo da História. Ao redor das suas margens, várias populações se fixaram e desenvolveram. Guerras foram travadas, países conquistados e civilizações erigidas.

Inicialmente, os territórios do Vale do Lima preservaram-se como um segredo da Natureza. A fauna e flora viviam harmoniosamente sem grande intervenção humana. O crescimento demográfico progressivo foi empurrando as pessoas para este lugar.

A sua tão virgem beleza encantou os romanos aquando da sua ocupação da Península Ibérica. A paisagem era-lhes tão divinal que, fascinados, acreditaram estar diante do mitológico Rio Lethes. O rio no qual bastava tocar para perder a memória. Assustados, os soldados firmaram-se na margem e só avançaram depois do seu general ter dado o primeiro passo. Afinal, a memória não se evaporava. Aliás, estimulava-se. Aquele lugar era inesquecível.

A queda do Império romano, as subsequentes lutas pelo domínio e as diferentes organizações sociopolíticas estabelecidas refletiram-se nas populações aqui fixadas. Contudo, a magia original nunca se perdeu. A riqueza natural do lugar, além de devidamente preservada, passou a ser motivo de defesa para os locais. Aliás, foi por eles sempre melhorada, como demonstram, primeiro, os socalcos dos prados do Lima e, depois, as leiras para cultivo de milho e batata.

Este território é o berço de gente brava que dedicou o seu trabalho e orgulho à terra. Não espanta, por isso, que os soldados de D. Afonso Henriques, fundador do Estado Português, tenham tido aqui a árdua tarefa de vencer em bafúrdia medieval com os soldados de Leão e Castela. Ou que tenham, daqui saído, importantes navegadores da era dos Descobrimentos, entre os quais Fernão de Magalhães e João Álvares Fagundes. O berço de uma das nações mais antigas do Mundo nasceu, entre prados e serras, num vale carregado de brisas de coragem e resiliência.

Falar de Portugal é falar, inevitavelmente, deste belo lugar. O conhecido carácter de superação, resistência e orgulho nasce nestas gentes que viam, na harmonia com a riqueza natural, uma forma superior de dedicação e gozo da arte de viver. Mas, tal como nos indica a História, foi também aqui que se abriu a janela do Mundo.

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